Resenha: Os Maias - Eça de Queirós

20:07

Olá Leitoras e Leitores.
Venho aqui fazer a minha primeira resenha para o Blog İVamos a Charlar! Espero que gostem e acompanhem esta parceria :)

O primeiro livro que vos vou apresentar chama-se “Os Maias” de Eça de Queirós. O livro remete ao final do século XIX, onde o escritor faz uma crítica ao Portugal dessa época, uma sociedade demasiado religiosa e incapaz de modernizar-se. Daí esta obra ser a mais conhecida do autor e a mais escolhida para leitura nas escolas portuguesas. Ainda hoje o livro se encaixa na descrição da nossa sociedade.

A história conta a vida da família Maia durante três gerações. O patriarca da família, Afonso da Maia, o seu filho, Pedro, e o seu neto, Carlos.

Afonso é um dos meus personagens favoritos. Um homem simpático, que é valorizado pelo autor por não se lhe conhecerem defeitos. É culto, de bom carácter e requintado. Não se envolve em brigas e discussões e mantém sempre uma postura serena em toda a obra. Casa-se com Maria Eduarda Runa e têm o seu único filho – Pedro.

A base da educação de pedro é a religiosa, embora o pai fosse totalmente contra, mas a sua mãe insistiu. A educação à portuguesa, como lhe chamam, faz dele um homem fraco e melancólico, tal como a sua mãe.

Após a morte de Maria Eduarda Runa, Pedro fica devastado, passando dias a chorar trancado no quarto. Mas certo dia conhece Maria Monforte, conhecida como a negreira, e ele recupera do seu estado melancólico e solitário. Acabam por se casar, contra vontade de Afonso, que leva à separação de pai e filho.

Passados anos, Pedro e Maria Monforte têm já dois filhos, Maria Eduarda e Carlos da Maia. Mas Maria Monforte apaixona-se por Tancredo (um italiano) e foge com ele, abandonando Pedro e seu filho. Nessa noite Pedro suicida-se deixando o filho aos cuidados de Afonso. Esta é designada a intriga secundária da obra que leva à intriga principal.

A intriga principal é a história de amor de Carlos, que, após se formar em medicina, instala-se em Lisboa e conhece uma rapariga por quem se apaixona logo e a procura por todo o lado. Quando finalmente se conhecem, envolvem-se numa história de amor linda. Porém, nem tudo é um mar de rosas e eles não podem ser amantes. Eles desconhecem o passado que os liga.

No final, Carlos, apesar de ter recebido uma educação diferente de seu pai e se ter tornado um homem física e psicologicamente mais forte, acaba por fracassar na vida como Pedro. Através disso, o autor quer transmitir os factores que levam a que alguém não seja bem sucedido. No caso de Carlos, teve a melhor das educações, mas herdou da avó e do pai o carácter fraco e da mãe a tendência para o desequilíbrio amoroso. Outro factor muito importante e o ponto de toda a história é o meio envolvente – a sociedade Lisboeta. Ou seja, se Carlos estivesse numa outra sociedade, como a inglesa (caracterizada como mais forte na obra), e não tivesse herdado o lado fraco da família, tinha tudo para ter sucesso!

O livro tem diversos episódios em que se vê o perfil da sociedade portuguesa, como o episódio da corrida de cavalos, um dos que mais gostei, em que as pessoas tentam recriar as corridas de cavalos de Inglaterra. Mas como Portugal era uma sociedade mais atrasada, as pessoas não souberam recriar bem: as mulheres iam vestidas como se fossem à missa, a corrida ocorreu sem cavalos de corrida (apenas cavalos normais), e o espaço não era o indicado. Isso originou um episódio cómico e de intensa crítica!

O que mais gostei do livro, para além do acima citado, foi a história de amor de Carlos. A parte em que ele corre toda a Lisboa para encontrar e conhecer a sua ‘deusa’ é super romântica.

Gostei do livro e da sua história, apesar de ser bem chato de ler por possuir muita descrição e enrolar muito a história. Gostei mais de ver o filme, por ser mais concreto e centrar-se na história, sem aquelas descrições todas. Porém o filme também está mal produzido pois nota-se que os cenários são feitos de papelão…

Ambos, tanto o filme como o livro, têm pontos negativos e positivos, mas no geral gostei bastante da leitura. Uma dica que vos dou é: se são impacientes como eu e não gostam de livros muito descritivos, passem à frente os primeiros capítulos. As primeiras 15 páginas são uma longa descrição do Ramalhete (a casa dos Maias) – podem passar, nada de interessante! Depois vem uns capítulos da história de Afonso e Pedro muito resumida, até ao capitulo III. A partir daí começa a história de Carlos, desde a sua infância até à sua formatura (que na minha opinião também podem ler muito de leve porque não se passa nada) só a partir do capitulo VII é que começa a verdadeira história (mais ou menos).

Por fim deixo-vos o link do filme, para dar mais umas luzes à obra, mas aconselho-vos que leiam primeiro o livro porque há muitas coisas que o filme não têm!

Sou a Rute, portuguesa, nascida numa família grande e muito carinhosa. Tenho 18 anos. Adoro ler e escrever, ver séries, filmes, animes e tudo o que me agrade no pequeno ecrã. Sou sonhadora, adoro viajar e descobrir novos paraísos. Não desisto de um bom desafio.

Sou apaixonada por blogs e tenho o meu próprio blog, que se chama Where I Belong.Com esta parceria procuro fazer resenha de livros de autores portugueses, principalmente, para mostrar um pouco do meu país. Espero que gostem e que continuem a seguir este blog e a nossa parceria. Divirtam-se e percam-se nas letras! 
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1 comentários

  1. Essa obra é maravilhosa, a minissérie é ótima também!
    Um beijo :)
    https://vaibemcomtudo.wordpress.com/

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