A bilha quebrada - Heinrich von Kleist

01:18

Todas as obras que li são difíceis de resumir sem spoilers, pois muitas vezes o desenrolar é que cria o humor ou as questões a serem discutidas, mas tentarei. Também acho interessante dizer que saber um pouco da história da Alemanha e dos autores pode ser interessante para analisar melhor as obras.

Heinrich Von Kleist, foi um poeta e romancista alemão que viveu de 1777 a 1811, escreveu (dentre outras obras, a maioria dramas) a comédia “Der Zerbrochene Krug” traduzida para o português como “A Bilha Quebrada” (tradutora: Esther Mesquita).

Peça em um ato. Passa-se a ação numa aldeiazinha holandesa (Huisum), perto de Utrecht.

Tem como pergonagens:

  • Walter, desembargador
  • Adão,  juiz de paz
  •  Licht, escrivão
  •  D. Marta Rull (Viúva de um porteiro do castelo, parteira)
  • Eva, sua filha
  • Guido Tumpell, camponês
  • Ruprecht, seu filho
  • Dona Brigida (tia de Ruprecht)
  • Um criado (do desembargador), um meirinho, duas criadas (Margarida e Luiza, ambas a serviço do juiz).


s    O dia em Utrecht começa com a notícia da chegada "surpresa" do desembagardor Walter, com o intuito de verificar como a justiça tem sido conduzida em Utrecht, o que gera certo alvoroço, Adão, juiz da comarca desta aldeia pede para as criadas organizarem algumas coisas no escritório. Durante a visita, o desembargador aproveita que é dia de receber queixosos, para acompanhar algumas "audiências" e a primeira delas diz respeito a uma bilha quebrada (a bilha em questão, além de ser um jarro de inestimável valor, refere-se a honra/reputação, agora perdida, de Eva. D. Marta, mãe de Eva, acusa Ruprecht, ex futuro marido de Eva de ter quebrado a bilha, nós leitores sabemos quem é o culpado e existe uma disparidade de conhecimentos entre os próprios personagens que gera comicidade.
   
       A peça já foi adaptada para o teatro e acredito que vendo nos palcos seja mais engraçada que na leitura. Uma peça rápida e agradavel de se ler. Primeiramente notamos uma crítica ao sistema judiciário e a forma como as coisas eram conduzidas nas pequenas aldeias naquela época. Porém, na discussão de sala de aula surgiram algumas interpretações e questionamentos muito interessantes e atuais. Analisando um pouco mais a fundo, podemos ver que a obra nos traz uma referência bíblica que realmente tem relação com o enredo, na escolha do nome dos personagens "Adão e Eva", além disso, é possível refletir sobre o "corpo", a falta de emancipação e controle sobre o próprio corpo. E uma contraposição da visão de um juiz como figura pública e como um individuo comum. 
 
     As possibilidades de discussão são diversas e realmente fiquei feliz de ter podido entrar em contato com uma obra que foge bastante dos meus costumes de leitura. Espero que vocês gostem e se interessem por esta peça e consigam extrair o máximo possível do que ela tem a oferecer. Ficarei feliz se alguém já tiver lido e quiser compartilhar suas impressões.



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9 comentários

  1. Eu nunca li mas achei interessante. E também concordo com você nessa questão de saber um pouco da história e do autor para analisar a obra sobretudo quando são estrangeiras pois as vezes existem algumas coisas que não entendemos justamente por não conhecermos alguns fatos.
    Parabéns pelo post! bjs
    www.simplesmenteciana.com

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  2. Nossa interessante isso, há alguns livros que passam essa sensação de profundidade por mais simples que seja né? Gostei bastante da resenha! =D

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  3. Eu nunca li e nem ouvi falar sobre esse livro. Confesso que hoje eu não me interessaria por ele, mas ele se encaixa perfeitamente na lista de livros que quero ler quando eu estiver casada. Sim, eu tenho uma lista para isso kkkk

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  4. Eu nunca tinha ouvido falar do livro, me pareceu interessante. Gostei muito da forma que você escreve.
    Beijos

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  5. Assim como você, também gosto de fugir um pouco dos costumes de leitura. Adorei saber mais sobre esse autor e a obra dele :D me interesso muito por livros mais antigos e clássicos, então acho que eu ia gostar!

    Adorei o post, moça *-*

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  6. Nossa, que diferente! Eu gosto bastante de ler livros com a narrativa em forma de peça, porque sempre me lembram o tempo que eu fazia teatro, mas tenho o mau costume de acabar sempre lendo, desse gênero, apenas aqueles livros mais famosinhos, como Shakespere, por exemplo. Na verdade, acho que é falta de ser apresentada a outros títulos. Então gostei muito da resenha: ela fez exatamente o que eu precisava.

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  7. Eu nunca li mas achei interessante. Algumas artes funcionam de jeitos diferentes talvez eu goste de ver mais no teatro mas a leitura te da uma visão melhor da obra em si.

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  8. Nunca ouvi falar desse livro, mas parece ser bem legal! Geralmente sou um pouco chata para livros, vou procurar por este.

    www.amandamoresco.com.br

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  9. Também não conhecia a obra nem o autor! Acho bem interessante este estilo de narrativa em formato de peça, ainda mais com uma temática que abre pra bastantes discussões :)
    Abraço :)

    Red Behavior

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